sábado, outubro 30, 2004

Desabafos

Uma das facetas mais importantes que caracterizam o treinador José Mourinho é de, antes de cada desafio, estudar o adversário até à exaustão e preparar os seus jogadores para situações imponderáveis que possam ocorrer durante o jogo. Uma delas é o facto de a equipa poder ver-se a jogar com menos um elemento. Foi isso que aconteceu, por exemplo, num jogo com o Benfica em que, apesar de estarmos a jogar sem o expulso Jorge Costa, o Porto empurrou o Benfica para a sua área num tal sufoco que os lampiões só queriam ver o jogo terminado. Com menos um, os nossos podiam ter dado uma abada de se lhe tirar o chapéu. E, noutras ocasiões quando em desvantagem, sabendo das fraquezas dos adversários, partiam confiantes para a superação da inferioridade no marcador. Agora não é assim. O Porto mantém o domínio do jogo, com bastante ineficácia, diga-se de passagem, porém, quando sofre um golo, os jogadores entram num tal estado de desorientação que é um salve-se quem puder, cada um a remar para seu lado e com os resultados que se vêem.
Isto só revela falta de preparação psicológica, a total ausência daquela confiança que resulta de um comando forte e preparado.
Outro dos pontos fulcrais da preparação do agora treinador do Chelsea, como ele afirmou diversas vezes, é o treino sectorial assíduo de molde a gerar automatismos de colocação no terreno e, sobretudo, de compensação que, se existissem na actual equipa, teriam evitado os
dois golos de Guimarães, especialmente o primeiro.
Outro factor determinante parece ser a falta de treino específico em situações de bola parada. Nas épocas transactas era um gosto ver a aflição dos adversários sempre que havia um livre perto da sua área ou aquando da marcação dos cantos. Agora já sabem que o perigo é insignificante. Nos livres a bola ou vai contra a barreira ou parece um pontapé à rugby. Isto não é mais do que a sofreguidão que resulta da falta de confiança e também da falta de treino específico.Culpa de quem, Sr Fernandez?
Estes desabafos não são feitos com o intuito de denegrir o clube, antes, pelo contrário, resultam
de uma acrisolada paixão clubística, este ano muito sofrida, principalmente por saber que entre os jogadores há matéria para se fazer uma excelente equipa, o que não se está ver. E já lá vão oito jornadas e duas taças perdidas.Que mais nos espera?
Estou como diz uma ferrenha consócia que já admiro e respeito:


POOOOOORTO!